Como passei da análise matemática para os torneios presenciais
Esta página conta, em primeira pessoa, o caminho que me trouxe das planilhas de probabilidade até as mesas finais de torneios de poker ao vivo.
Da estatística para o tapete verde
Estudei estatística e passei os primeiros anos da carreira trabalhando com modelos de risco para uma seguradora em São Paulo. O poker entrou na minha vida como curiosidade acadêmica: eu queria entender por que certos jogadores tomavam decisões consistentes sob incerteza, enquanto outros confiavam apenas na sorte do momento. Comecei a estudar teoria dos jogos e combinatória de baralho nas horas livres, sem qualquer intenção de competir.
A primeira mesa presencial
O primeiro torneio que joguei fora de casa foi um evento local, pequeno, organizado por um clube de xadrez e jogos de estratégia da minha cidade — nada ligado a cassinos, apenas uma sala alugada e um grupo de entusiastas de jogos de carta. Perdi rápido, mas voltei para casa fazendo contas: onde errei a leitura, onde a matemática dizia uma coisa e a mesa dizia outra. Essa distância entre a teoria e a mesa real foi o que me manteve interessado.
A transição para o circuito presencial
Levei quase três anos entre o primeiro torneio e a minha primeira viagem para jogar uma etapa do BSOP fora do meu estado. Nesse período, larguei o emprego formal em risco atuarial e passei a viver dos torneios e de consultorias pontuais em análise de dados — uma transição difícil de justificar para a família e para mim mesmo nos primeiros meses, com meses de resultado ruim que testaram a decisão. O que me ajudou a manter a cabeça fria foi tratar cada torneio como uma amostra pequena de uma distribuição muito maior: nenhum resultado isolado prova ou desmente o método, só a série longa importa.
O apelido "Ventura"
"Ventura" surgiu de brincadeira em uma mesa de etapa regional, quando um adversário comentou que eu jogava "como se a sorte fosse só um detalhe do cálculo". O nome ficou entre os jogadores que me acompanham há mais tempo, e resolvi usá-lo também aqui no blog, como uma forma de separar o personagem público do meu nome de família.
Por que este blog existe
Escrevo aqui para registrar a parte do jogo que normalmente não aparece em transmissões: a rotina de viagem, os erros de leitura, a disciplina financeira necessária para sustentar uma carreira de torneios presenciais e os bastidores de eventos sociais e educativos que organizo e dos quais participo. Não vendo inscrições, não recomendo operadores e não ensino "como ganhar" — ensino como eu penso o jogo, o que é bem diferente.