Poker face não é esconder emoção, é não vazar informação
A expressão "poker face" costuma ser entendida como "rosto de pedra". Depois de anos observando mesas, prefiro pensar nela como uma disciplina de informação, não de expressão facial.
O erro de tentar "não sentir nada"
No início, eu tentava suprimir qualquer reação — respiração controlada, olhar fixo, postura rígida. O problema é que esse esforço consciente de controle é, em si, um padrão perceptível: jogadores experientes notam quando alguém está "trabalhando demais" para parecer neutro, e isso já é informação. O objetivo real não é parecer uma pedra, é manter o seu comportamento estatisticamente parecido em situações diferentes, para que ele deixe de significar alguma coisa.
Padronizar o ritmo, não a emoção
O que funcionou melhor para mim foi padronizar o ritmo das minhas ações: tempo de decisão, forma de olhar as cartas, forma de colocar as fichas no centro. Quando esse ritmo é consistente em mãos fortes e em mãos fracas, a emoção que eventualmente escapa no rosto perde a maior parte do seu valor informativo para o adversário.
Lidar com sequências ruins em tempo real
A parte mais difícil não é a mão individual, é manter esse ritmo depois de uma sequência de resultados abaixo do esperado. Uso uma regra simples: a cada mão perdida de forma relevante, repito mentalmente se a decisão foi boa dado o que eu sabia no momento, separando qualidade da decisão do resultado observado. Isso evita que uma mão ruim contamine a próxima com pressa ou irritação visível.
O que eu observo nos outros
Hoje presto mais atenção a mudanças de ritmo do que a "tells" clássicos de filme (mão tremendo, voz alterada). Mudança de ritmo é mais confiável, mais difícil de disfarçar e, na minha experiência de mesa, aparece com frequência muito maior do que os sinais óbvios que os livros costumam descrever.